sexta-feira, 22 de abril de 2011

Poeminha pessimista

É como se a vida não bastasse
Nem mesmo seus grãos esparsos
de alegria e sofrimento
intensos
Pois eles passam.

É como se o mundo não bastasse
Nem mesmo os sorrisos espalhados
pelas terras mais distantes
brilhantes
Pois eles passam.

É como se o sonho não bastasse
Nem mesmo sua fresca sensação
de esperança e amanhecer
imensos
Pois mesmo eles
passarão.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A vida te coloca diante do mundo
Como se ela fosse a única escapatória
E você vive, cada momento
Com poesia ou pesar
E quando acaba...
Lá vem mais um dia.

O mundo te coloca diante da vida
Como se ele fosse a única alternativa
E você vive, habita e sonha
Com alegria ou dor
E quando acaba...
Você pede por mais um dia.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Simplesmente nos jogaram nesta vida insólita
Sem lenço, documento ou manual
Nos ensinaram regras e costumes
E depois nos ensinaram a pensar...

E pensando indagamos o imutável
Aquele que desde de os tempos mais antigos
São o tema da busca de filósofos e pensadores
Aquilo que não muda
A essência...

Diante disso me questiono sobre a minha essência...
Ora ela é de jasmim
Ora ela é de campim
Ora ela é inodora...
Coloco-me diante das mais inesperadas situações
Em busca do que seria imutável em mim
E sem respostas...
Caio no abismo das convenções...
Não tenho essências... o que sou?

O pensar me resgata com ternura
Refaz todas as minhas perguntas
E me lança no balanço permanente
dos questionamentos...

Estou de volta a mim mesma
Um ser em movimento... de movimento
Que tem como imutável o próprio
"não ter imutáveis"
Depois que se abriu diante da janela
das idéias

Mas a emoção...
Essa ratoeira perigosa e pronta a nos seduzir
com um pedaço do queijo
da tradição...
do conveniente...
Urge por dissuadir-me da liberdade
de viver o que me escapa
e me afoga em dúvidas
latejantes...

A razão acompanha tudo..
E me olha desconfiada.
Intromete-se...
ao não interferir.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vim buscar a poesia
na beira do mar
E ela fugia de mim
Corria sorrateira
quase caçoando
do meu olhar.

Fui para calçada
Caminhei pela rua
Sempre a buscá-la
E ela não estava
aqui
nem lá

Cheguei a avistá-la
Numa banquinha
perto da esquina
Quando fui encará-la
Desfez-a paisagem.

Ficou apenas o vento
a chuva
e a busca.

@>--'--

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Doce ilusão cansada..

Arrastei-a pela mão

por toda a ladeira

Com euforia

rendia-lhe canções e poemas

Saltitava carinhos

Sorria aconchegos

Embalava sonhos

e dava-lhe de presente.



Ela pôs a mão no meu ombro

e sussurou baixinho e ofegante

ia largando-me pelo caminho

sentada na estrada

eu continuava a seguir

Olhei para trás um momento

ela respirava, exausta.



Fui adiante.



Na próxima esquina

Esperava-me a poesia.

@>--'--

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Saudades no jardim

Tão efêmera noite que ti trás ao meu pensamento.

Saudade, pequeno tempero na estrada.

A estrada que recebe tua insólida certeza de aventura

desenha curvas de imagens e músicas que me levam ao jardim.

A Chuva cai no jardim com o peso da saudade.

Os espinhos estão mais rudes na rosa em terras encharcadas.

As palavras sangram em ti e na rosa.

Na estrada a chuva abandou a saudade;

mas sem força ela continua a visitar a rosa.

O Banco

Sentei no banco para esperar a fantasia passar.

Não tinha ladrilhos nem pedras de brilhantes na rua.

Como meu amor poderia caminhar?

Sentada ao banco a lua me chamou para dançar.

Na espera pelo meu desconhecido amor, do banco não ousei me afastar.

O vento passou.

A chuva ameaçou.

So o meu amor não passou.

A lua que silênciosamente espreitava, cantou baixinho nossa melodia.

O banco vazio aguardava o meu novo fantasiar.